Críticas Filmes

Madres: uma história sombria e real não é o suficiente para entregar um bom horror

Um trigger clássico do anos 70: baseado em fatos reais! Madres esconde uma história horrível e necessária atrás de uma narrativa inconstante que não entrega o básico do terror: medo, aflição e tensão. A curiosidade é recompensada na reta final, mas a jornada dá sono.

Frustrante! Madres utiliza uma história real assombrosa e importante, porém, esta só se revela nos minutos finais, deixando o terror da narrativa ser consumido por tédio e elementos soltos que transmitem mensagens conflitantes. Os pontos mais interessantes da trama não são aqueles que configuram o seu gênero, o terror passa batido e o sucesso do filme se baseia na denuncia de um massacre característico de terras colonizadas.

Ariana Guerra vive Diana, uma mulher prestes a dar à luz a seu filho com Beto (Tenoch Huerta), recém promovido a gerente de uma plantação agrícola. Os dois acabaram de se mudar para uma pequena cidade no interior da Califórnia onde, basicamente, residem trabalhadores rurais. Diana tem problemas em se adaptar, principalmente pela cultura local ser baseada nos imigrantes e, estes, acreditarem numa misteriosa maldição que recai sobre mulheres grávidas.

A típica frase “baseado em fatos reais” anuncia um horror que, apesar de receber uma excelente conclusão e transformar seu significado, frustra durante toda a narrativa por não apresentar qualquer momento genuíno de horror. O filme é ambientado nos anos 1970, uma das décadas mais influentes do terror, com excelentes filmes tanto de assassinatos quanto de possessões espirituais, e Madres não escolhe nenhum desses caminhos ricos em referências que enriqueceriam a obra.

A protagonista Diana é uma mulher entediante que não nos desperta qualquer emoção. Ariana Guerra tem uma atuação fraca que não esboça horror e tensão necessárias. O drama inicial da personagem: americana se sentindo forasteira no próprio país por não falar espanhol é vazio e pouco explorado – o filme não cria espaço o suficiente para desenvolver e aprofundar essa nuance que tem tudo a ver com a conclusão.

O roteiro de Marcella Ochoa e Mario Miscione tem boas ideias e um tema super importante e atual que encontra no terror um campo próspero para denunciar e fazer seu ponto crescer. Porém, a falta de sutileza e experiência o impede de criar a tensão necessária. Isso acentuado pela direção de Ryan Zaragoza, que, além da falta de nuance e sutileza, sofre ao não conseguir criar um mistério genuíno ou um clima de horror, deixando o expectador apenas entediado a maior parte do tempo.

Bolsinhas de sangue penduradas em árvores e raras aparições de uma assombração zero aterrorizante não constituem um filme de terror. O roteiro força o expectador a ir por um caminho enquanto a fotografia e direção gritam que aquele não é certo, as duas não parecem nutrir uma sintonia e tudo soa apenas como uma bagunça frustrante. É claro que queremos saber se Diana conseguirá ter seu filho, mas será que as custosas 1h 30min valem a ótima conclusão?

As verdadeiras histórias de horror são aquelas que realmente aconteceram e revelam o pior do ser humano. Madres tem uma ~vibe inspirada nas obras de Guillermo del Toro, horrivelmente fascinante, bebe da fonte do realismo mágico, gênero nascido na América Latina. No entanto, erra constantemente com uma narrativa sem ritmo, entediante, com uma protagonista fraca pouco desenvolvida e um desperdício de referências dos filmes de terror da época em que se passa a história. Os minutos finais sustentam um evento que precisa ser conhecido, mas que frustra dada a quantidade inumerável de possibilidades de abordar melhor um tema tão urgente e apagado!

Avaliação: 2.5 de 5.

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