Críticas Filmes

A Mansão retrata obsessão pela juventude de forma sarcástica, porém entediante

As limitações da idade são um filme de horror, e o saudosismo da juventude se torna uma companhia perigosa. A Mansão se apega à fórmulas batidas e estereótipos de terror que, caso superados, entregam uma conclusão intrigante.

Envelhecer é um verdadeiro horror. Tema principal do pesadelo de muitas pessoas, a idade é uma questão que não parece deixar a pauta social tão cedo, e diariamente, procuramos formas de segurar com força a juventude, às vezes recorrendo ao ~sobrenatural. A Mansão é uma história divertida de terror no asilo, mas que carece de textura ao focar numa conclusão interessante, com uma jornada chata.

Nela acompanhamos uma senhora que sofre um derrame no seu aniversário de 70 anos, o que a leva a se mudar para uma casa de repouso toda ~vintage e aparentemente agradável. Com o passar dos dias, a personagem começa a ter visões ~estranhas e sofre gaslighting dos funcionários e dos seus novos amigos, enquanto percebe que seus dias estão contados.

Judith é vivida pela excelente Barbara Hershey (Cisne Negro e Sobrenatural) e a atriz consegue deixá-la intrigante, mesmo que o roteiro não se encarregue disso. Na primeira cena já conhecemos tudo que precisamos e nos será apresentado sobre a personagem: tem um elo fortíssimo com o neto e recente muito a ausência de juventude. Esses pilares irão conduzir toda a história e entregar o final que Judith demonstrou a trama inteira, mas que nos deixa desconfortáveis – num bom sentido.

Seus colegas de asilo tem um ótimo casting, com Bruce Davison, Jill Larson e Fran Bennett, porém são preenchidos de diálogos excessivamente expositivos, fazendo uma apologia sem nuance a juventude que tira o mistério da trama. Tudo em A Mansão veste estereótipos óbvios que empobrecem a jornada de Judith: os funcionários “malvados”, a sugestão de demência da protagonista, os amigos esquisitos, a mansão isolada – nada genuinamente surpreende ou sugere algum mistério.

O sobrenatural é fraco e nada assustador, Judith segue um roteiro previsível e cresce apenas nos momentos em que se mostra mais astuta do que a maioria de protagonistas entediantes de terror. A atmosfera de A Mansão não convence, em nenhum momento duvidamos da sanidade de Judith como a trama nos força a fazer, tudo é simplesmente muito explícito e plano para isso, culpa da direção reservada e apagada – no fim, somos movidos por uma curiosidade banal, vazia de emoções.

Os últimos minutos nos levam a uma conclusão sarcástica e, até certo ponto, divertida que, ironicamente, tem tudo a ver com o que os personagens nos apresentarem de forma plana a trama inteira. O desfecho salva boa parte da experiência e evidencia uma boa ideia com um roteiro que foi muito esticado, a história facilmente seria melhor e mais impactante na forma de curta-metragem.

Axelle Carolyn, roteirista e diretora de A Mansão, tem um currículo interessante no gênero, já escreveu um episódio para O Mundo Sombrio de Sabrina e dirigiu episódio de A Mansão Bly e Creepshow. Neste trabalho autoral é possível identificar características em comum com essas obras e que podem vir a ser assinaturas da cineastra, como um trabalho solo mostra uma carreira promissora de alguém que sabe entregar abordagens interessantes a temas cotidianos, como envelhecer.

O final entrega aquele momento delicioso de “QUE ** ESTÁ ACONTECENDO AQUI??” que faz valer a jornada instável e de ritmo inconstante. A Mansão segue a risca a fórmula de um típico “terror de paranoia”, mas esquece de criar uma atmosfera na qual a audiência se sinta doida tal qual a protagonista. No mais, Carolyn demonstra ser um nome intrigante para acompanharmos e esta uma obra que pode oferecer um entretenimento de halloween básico para a ocasião.

Avaliação: 3 de 5.

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