Críticas Filmes

Rua do Medo: 1994 (parte 1) – Uma carta de amor sangrenta é o suficiente?

Início de uma trilogia, Rua do Medo: 1994 é uma perfeita homenagem ao terror slasher da década, nos levando de volta aos anos 1990 de um jeito mais ~atual. O filme apresenta adolescentes amaldiçoados, dando uns beijos eventuais e sendo brutalmente mortos, enquanto outros fogem de alguns assassinos possivelmente possuídos. A receita é perfeita, porém não sabemos se o prato será bem executado.

Baseada na série de livros jovem-adulto de R.L. Stine, mesmo autor de Gossebumbs (cuja adaptação me aterrorizava quando criança rs), Rua do Medo foi pensada para funcionar como uma trilogia, embarcando no cenário atual, onde as definições e limites entre filmes e séries ficam cada vez mais embaçados. Este é um filme que não funciona sozinho, o final tem gosto de episódio piloto de uma minissérie, com várias perguntas em aberto para serem respondidas. Leigh Janiak ousou em apostar no formato, só que ainda é muito cedo para dizer se vai dar certo.

Abrimos o longa com Maya Hawke (<3) e um shopping encerrando seu expediente, num clima ~spooky (/assustador) e cheio de possibilidades – que chegam ao fim. A cena introdutória dá o tom do filme: homenagem atualizada e zero escrúpulos em assassinar adolescentes. Na sua melhor impressão de Drew Barrymore, Heather (Maya Hawke) é perseguida por um assassino com máscara de caveira, e, cruelmente executada por ele – mas não de um jeito tosco. A cena é linda de um jeito horrível, as cores néon e a morte lenta da personagem trazem certa poesia que se mantém presente. Pânico! É a nossa porta de entrada para o slasher teen delicioso que vamos assistir.

Terror sáfico? Temos! Deena (Kiana Madeira) está com ~dor de cotovelo~ após ter terminado seu namoro (secreto) com Sam (Olivia Welch), que se mudou para a cidade vizinha, devido ao divórcio de seus pais, onde começou a namorar um jogador de futebol americano (óbvio, clichês incríveis). Leigh Janieak, co-roteirista e diretora, acerta em não transformar isso no motivo da maldição (seria muito fácil e péssimo), mas em utilizar o drama teen como atmosfera emocional do filme, que trata sobre bruxaria (ouvi um yay?).

O grupo de adolescente contra o mal conta, também, com Kate (Julia Rehwald) e Simon (Fred Hechinger), amigos de Deena e os ~traficantes~ do colégio, cheios de personalidade e carisma e, com Josh (Benjamin Flores Jr.), irmão mais novo de Deena e que carrega o grupo nas costas. A forma como os cinco jovens quebram os arquétipos vazios clássicos dos filmes de terror demonstra como clichês ainda funcionam muito, quando bem aproveitados. O desenvolvimento dos coadjuvantes é impecável, e trazem o carisma e diversão que Deena não consegue – quem também a achou uma namorada tóxica?

Desde a estrutura até elementos como o assassino com um machado (Jason, corre aqui), Rua do Medo sabe dosar bem as referências e criar a sua própria dinâmica: os personagens são sagazes e existe certa beleza na forma como Janiak trabalha os acontecimentos mirabolantes, tal qual o ~sequestro de uma ambulância. A história é mais densa do que o esperado, e imergimos num emaranhado amaldiçoado maravilhoso, mas que não tem a sua conclusão definida.

O final de Rua do Medo 1994 (sem spoilers, segura a emoção) é frustrante por duas razões: não sabe dosar o peso das perdas e cria mais perguntas do que respostas – não no sentindo final aberto, ~interprete você~, mas no sentindo ~cliffhanger esquisito. O longa funcionou como um prólogo que se dividiu entre referências dos slashers dos anos 1990 e criação do mundo e dos conceitos de bruxaria que iremos acompanhar no futuro. Dessa forma, a conclusão sacrifica a jornada sangrenta e divertida em prol de um futuro muito incerto e que, por enquanto, não sabemos avaliar se valeu a pena – então é simplesmente frustrante.

Os dez minutos finais tem muito potencial de arruinar a experiência, principalmente por causa de Deena! A dúvida que fica é: ela é mesmo essa pessoa ou não tiveram tempo hábil de fazer outra coisa? A personagem me irritou a jornada inteira, então eu fico com a primeira opção. Acho ousado criar protagonistas que têm atitudes questionáveis, mas não sei se podemos chamar isso de bom trabalho quando o expectador não tem a certeza que essa tenha sido a intenção original.

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