Deixe a Neve Cair é a nevasca de amor dos filmes teens

A combinação filme teen com Natal já teria tudo para ser fofa, mas quando se acrescenta Netflix, John Green, Lauren Myracle e Maureen Johnson o resultado é uma explosão de amorzinho. Deixe a Neve Cair é a redenção que o streaming vermelho estava nos devendo depois dos fracos lançamentos teens que vinha apresentando. Com personagens carismáticos e diversos, o filme consegue despertar o clima natalino adolescente, com confusões fofas e tramas leves.

Deixe a Neve Cair é daqueles filmes cheios de pequenas histórias que se cruzam no final. Adaptação do livro homônimo que reúne três contos dos autores John Green, Lauren Myracle e Maureen Johnson, ela se passa na pequena cidade de Laurel que, atipicamente, recebe uma nevasca na véspera de Natal. O excesso de neve causa transtorno nos planos de todos os personagens que, tendo que adaptar a programação, acabando se envolvendo em algumas aventuras e confusões. O segredo da história está no desenvolvimento das relações entre amigos, namorados e desconhecidos. Deixe a Neve Cair é uma nevasca de clichês, mas tão bem-feitinha e diversa que cai como um belo chocolate quentinho e cremoso.

O filme conta com uma equipe de roteiristas mulheres e a supervisão dos autores do livro, e, mesmo que não possa falar da adaptação já que não li, todo o coração e características desses autores estão presentes no longa. As três histórias principais são compostas pelos clássicos: briga entre melhores amigas, melhores amigos que são apaixonados em segredo e; menina certinha conhece astro da música. Ou seja, a combinação do que queremos num filminho tranquilo de Natal.

A história dá as escorregadas típicas do gênero como: cadê os pais dessas crianças? Como assim uma festa na véspera do Natal? Além de outros pequenos furos que, quando você tenta racionalizar toda a trama percebe algumas inconsistências. Porém, para uma mente acostumada com esse estilo narrativo, não prejudica a experiência.

Mesmo com o tempo curto (1h 30min) e tantas histórias a serem contadas, Deixe a Neve Cair surpreende com a diversidade de assuntos no universo teen que consegue retratar. O filme tem muitos personagens, o que no começo causa uma pressão para tentar lembrar de todos os rostos e nomes, mas a personalidade única e bem construída de cada ajuda a entendermos de cara quem são e o que desejam. Com poucas falas e tempo de tela, conseguimos enxergar o arco de todos, mesmo que simples e plano, e criar uma relação com eles.

deixe a neve cair filme de natal

O elenco é repleto de atores diversos e rostinhos conhecidos. Tem a presença de Isabela Moner, a recente Dora Aventureira (e, para dar aquele choque de realidade, uma atriz que nasceu em 2001, pois é, a geração 2000 já está na fase filmes teen, céus) que contracena com Shameik Moore a voz de Miles Morales em Aranhaverso!! O núcleo dos dois é o mais fofo e complexo com dilemas reais que envolvem família e solidão. A química deles é incrível e a espontaneidade que as coisas acontecem deixa o clima mais carinhoso. O personagem de Moore é um cantor super famoso e senti falta de um número musical dele.

A história que achei mais sem graça foi a protagonizada por Kiernan Shipka (Sabrina ❤) e Mitchell Hope (Descendentes). Apesar dos dois atores serem fofíssimos, faltou substância na trama, era excessivamente simples e clichê, ainda mais em comparação com as demais. Não conhecemos a fundo os dois personagens, existe potencial desperdiçado para diálogos mais profundos em detrimento de focar demais na construção do “menino atrapalhado” de Hope. Não ficou difícil identificar que está era a história do John Green, é igual a todas as outras dele – seguem sempre a mesma ideia, personagens, base.

O melhor amigo de Hope, Jacob Batalon (Ned do novo Homem-Aranha) é um personagem típico do autor, mas que rouba a cena e que poderia ter mais tempo de tela e foco narrativo. Assim como Matthew Noszka, amigo da personagem de Shipka, que parece ter um arco narrativo mais bem definido que o casal de melhores amigos. Na tentativa de diálogos engraçados e situações clichês e constrangedoras se sacrifica um maior desenvolvimento desse arco dramático.

deixa a neve cair sabrina

O que não acontece com a história estrelada por Liv Hewson (Santa Clarita Diet) e Odeya Rush (Dumplin’ e Lady Bird). A personagem de Liv é lésbica e está lidando com dramas românticos enquanto briga com a melhor amiga, interpretada por Odeya – o que é de partir o coração, pois as duas tem uma amizade muito fofa. Odeya tem um namorado babaca, mas é obcecada por atenção e por protagonismo, e, ao longo do filme, percebemos como a personagem é carente e vulnerável. Com pouco tempo conseguimos captar a essência das duas, nos envolver com a amizade delas e, mesmo que não haja profundidade nos temas, nunca é tratado de forma leviana. Nos pequenos diálogos conseguimos captar o background das personagens, o que faltou no núcleo do John Green.

Como todo filme cheio de núcleos, especialmente adolescente, existe um ponto em comum: (W)affle Town, uma lanchonete de waffles. Primeiro que waffles são perfeitos e daria tudo para ter um estabelecimento daqueles aqui, segundo que existe coisa mais adolescente norte-americano que um encontro em lanchonete? O lugar funciona muito bem como um elo que liga as narrativas, assim como a neve, e dá a unidade que o filme precisa para relacionar as tramas. A única questão que me pegou foi: cadê o adulto responsável pelo local?

A trilha sonora não podia destoar da temática clichê açucarado natalino, e por isso ela é repleta de hits e, surpreendentemente, músicas muito diferentes, mas que combinam com seus contextos. Ela funciona e não fica com cara de colcha de retalhos. A fotografia é linda, delicada, e ajuda a dar mais coração para o filme, a envolver o expectador pela emoção. O elemento da neve sempre presente é a identidade do longa, ela é quase um personagem, uma força do universo que fez com que tudo aquilo acontecesse.

deixe a neve cair critica

Deixe a Neve Cair é daqueles filmes para ver aconchegado no coberto, com pipoca e chocolate quente. Infelizmente quase impossível para o hemisfério sul, mas, ainda assim, mesmo nos dias mais quente, precisamos aquecer nosso coração e alimentar a alma teen que clama por filmes fofinhos. Um clichê que tem consciência disso, e não quer ser nada diferente do que precisa, mas que também sabe que existe uma audiência diversa e procura dialogar com todo mundo. Netflix acertou em inaugurar a temporada natalina com uma obra leve, delicada e que abre o coração para aquele sentimento de amor e abraços típicos da época. O verdadeiro filme de Natal tem que fazer a gente querer explodir de fofura, aquele boom no peito que a gente não acha que consegue controlar, e Deixe a Neve Cair cumpre esse requisito.

PS: Os Estados Unidos acabam com a minha vida por querer um Natal com neve, cobertor e muita comida quentinha.

PS 2: Quero muito ler o livro, se você já leu me conta se é fofo como o filme!

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