O que você quer dizer com “Bom Dia”?

Além do Condado exite um mundo cheio de perigos e gente (?) dos mais variados tipos. Tem uma cidade linda e uma floresta medonha, criaturas das trevas e gente que vai fazer canções sobre herois. E você só vai conhecer tudo isso se embarcar nessa jornada inesperada.

No livro vamos acompanhar uma grande aventura protagonizada por Bilbo Bolseiro, um hobbit acomodado que mora em sua casa, preza pelo conforto, boa comida e uma vida tranquila e pacata. Ele é tirado dessa vida quando, do nada, aparecem treze anões em sua casa dando uma festa, e o mago Gandalf, que praticamente o convoca para participar da jornada em busca de retomar as terras e, principalmente, os tesouros da família de Thorin Escudo de Carvalho, rei por direito do reino sob a Montanha Solitária. O único problema é que esse reino fica do outro lado do mundo, e está dominado pelo “óh poderosíssimo” dragão Smaug.

O livro é classificado como infanto-juvenil e um clássico da literatura inglesa, sendo um sucesso de críticas desde seu lançamento. Apesar de Tolkien dizer que, quando escreveu a história, não pensou em destiná-la a esse público, é compreensível que seja voltada para ele, pois tem uma linguagem lúdica, divertida e simples – é uma leitura leve. Eu fiquei meio perdida na descrição de localização e direção, mas nada que atrapalhe a história haha. O texto é narrado em terceira pessoa com um narrador onisciente e que faz comentários durante a história, algumas digressões e que dá ritmo e tom de fábula aos acontecimentos. Além de, no meio da narrativa, ter a transcrição de músicas que os anões e outros povos cantam (no universo criado), como cantigas antigas contando histórias, é bem interessante.

Hobbit 5

A história é também tida como alta fantasia, da qual Tolkien é conhecido por ser o “pai” desse subgênero e, por isso, suas obras acabaram influenciando outras várias que hoje conhecemos e amamos como Game of Throne e Harry Potter. E esse foi um fator importante para me despertar o interesse em ler a primeira aventura na Terra Média e, a seguir, ler a trilogia dos Senhor dos Anéis. Além disso, como também é praticamente um padrão do gênero, no livro temos a Jornada do Herói (nosso querido Bilbo) na sua forma mais pura, seguindo passo a passo.

Os capítulos do livro são divididos por pequenas aventuras dentro da grande jornada de Bilbo. Então, todos eles têm começo, meio e fim. Quase todos apresentam uma situação problema, ou introduzem novos personagens. Eu gostei muito dessa forma de organizar a história pois, os capítulos têm nomes, e assim é mais fácil se lembrar exatamente o que aconteceu em cada um deles, a história dá esses respiros e situa o leitor do dia-a-dia da aventura.

Hobbit 2

Falando da trama em geral, eu amei! Primeiro, é muito fácil você se identificar com Bilbo Bolseiro, e a vontade é de colocar ele em um potinho de tão fofo haha. O livro começa nos explicando exatamente o que são os Hobbits, essa raça tão icônica na cultura pop/geek atual. E basicamente Bilbo é alguém que AMA comer e faz várias refeições durante o dia, e também zela por uns cochilos e uma boa noite de sono – eu sou praticamente um hobbit. Além disso, ele tem uma vida confortável, financeiramente estável, mora em uma casa um pouco ostentação, é muito metódico e organizado e está imerso na sua zona de conforto, da qual, a princípio, não quer sair de jeito nenhum.

O que acontece é que para a sociedade hobbit da época, as aventuras eram muito mal vistas, hobbits não deixam suas casas nunca, não se aventuram. Então, conforme conhecia os dilemas de Bilbo, não podia deixar de sentir seu medo em embarcar rumo ao desconhecido, um lugar cheio de perigosos e incertezas, e, ao decorrer da jornada, percebia a importância que é sair da zona de conforto e de como isso faz a gente crescer. Apesar de o perigo que eu enfrentaria saindo de onde estou não seja entrar numa caverna Orc ou lutar contra um dragão. São nas adversidades que descobrimos nosso potencial, que nos conhecemos melhor e amadurecemos. Eu simplesmente AMEI o arco do Bilbo, que tem um crescimento incrível, e que leva a gente junto com ele nessa jornada. Eu ficava emocionada, frustrada e orgulhosa. Bilbo já é um dos meus personagens favoritos da vida. E, claro, Gandalf também está nessa lista, e é crucial para o crescimento do protagonista e para nos passar ensinamentos. Gandalf né?

hobbit 3

Só que nosso heroi não desbrava a Terra Média sozinho, durante todo o caminho tem a companhia de treze anões. Eu nunca gostei muito dos anões, desde quando assistia aos filmes do Senhor do Anéis. Acontece que eles são muito ambiciosos, brutos e cabeça dura. Thorin Escudo de Carvalho, o líder que reivindica seu trono, tem um arco muito legal também. Só que é orgulhoso, arrogante e prepotente, um chato às vezes haha, mas com uma história e um desfecho muito bonito. Os outros anões, metade só tem nome, pois nunca fizeram nada, além de volume. E isso me frustrou, porque não entendi o motivo de colocar treze, se só metade de fato vai ter um papel um pouco relevante.

A história ainda conta com Orcs nojentos e malignos, Wargs que me fez parar a leitura e buscar a relação com Game of Thrones (oi, Bran Stark, eu tô CONFUSA haha), e o nosso querido, porém não, Gollum/Sméagol que adorei conhecer melhor e achei muito mais assustador e interessante no livro – e claro, como Bilbo consegue o precioso e famigerado ANEL. Temos também Elfos, que não tem nome, mas seguem fofíssimos, e humanos. E dois personagens muito interessantes, Beorn e Elrond, adorei os dois e queria mais deles, conhecer melhor. Além é claro, a estrela da vilania, Smaug – como eu ansiei pela aparição do dragão que fala, melhores momentos.

Hobbit 4

O livro, apesar de ter menos de 300 páginas, tem muita história, muita coisa acontecendo, é cheio de aventuras e ação. A história é muito envolvente, e escrita de um jeito que te deixa realmente tenso e preocupado. Não vou mentir, e em algumas situações (no plural) temos um Deus Ex Machina para salvar Bilbo e os companheiros – Águias, eu estou falando de vocês. Mas isso não prejudica a história, é bem colocado e fica aceitável até haha. Queria destacar a passagem do comboio pela Floresta das Trevas, uma das minhas partes preferidas e uma das mais horripilantes e um ponto de virada para Bilbo.

Por fim, uma breve comparação com os 3 filmes – tudo que tem no livro tem no filme, mas nem tudo que tem no filme tem no livro. Pelas raras exceções da vida e ambições monetárias dos studios de Holywood, o filme deu uma inflada na história. Como disse anteriormente, não temos Legolas e Tauriel (uma pena, pois AMO ELFOS) – logo não temos uns dramas e conflitos amorosos, e, sem Tauriel não temos mulheres na história, mas vou abster críticas pesadas pois o livro é de 1937 né. E, claro, o tom é diferente, já que o filme é destinado a um público adulto. Mas acredito essas serem as maiores alterações.

Hobbit 1

Ficou claro que O Hobbit entrou para a minha lista de favoritos e foi uma leitura que fiz no momento certo, e quando estava pronta. A aventura de Bilbo conversou muito comigo, mais do que eu imaginei.

Claro que fica a recomendação para você ler esse clássico da literatura inglesa e mundial. Eu demorei nessa leitura, pois é um pouco cansativo, não vou mentir, mas é super divertida, interessante e envolvente. E quase 1 semana após ter terminado (uau, quanto tempo rs), ainda lembro com carinho e empolgação. É uma história que sempre esteve em volta de mim, com os filmes, e que agora, na vida adulta, posso afirmar que faz parte de mim!

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