Imagine quantas histórias um quarto de hotel pode nos contar…

Imagine quantas histórias um quarto de hotel pode nos contar…

Você está procurando uma série curta, diferente, que vai te fazer refletir, sofrer, dar umas risadinhas e uns “eita”? Essa série te entrega isso, e muito mais. É uma série com histórias sobre gente como a gente, nossos dramas cotidianos e nossas mini loucurinhas.

Room 104 é uma antologia lançada pela HBO em julho de 2017, ou seja, seus episódios são completamente independentes entre si, tendo cada um o seu começo, meio e fim. O único fator em comum entre os episódios é o quarto de hotel, protagonista onipresente. Cada curta metragem (os episódios têm cerca de 25 minutos) tem um gênero diferente, indo de terror a comédia, passando por drama e uma narrativa experimental. As histórias são fechadas, e, por serem curtas, são objetivas e focadas em retratar assuntos cotidianos. No entanto, não se deixe enganar por essa premissa básica.

A série foi criada pelos irmãos Jay Duplass e Mark Duplass, conhecidos por atuar, produzir e roteirizar algumas series – como Transparent – e é um exercício cinematográfico e de exploração da criativa. As narrativas são densas, marcadas sempre por uma reviravolta no final, muito bem executadas, e que faz o telespectador ficar surpreso. Graças a ótima capacidade de sintetização dos roteiros, os diálogos são fascinantes, nada que é dito ou que acontece em cada episódio é despropositado. Alguns roteiros são realmente inteligentes, trabalhando toda a história em subtexto, e outros ainda mudam de gênero durante a própria narrativa. Ademais, eles se utilizam de artifícios criativos para mostrar o background dos personagens e darem profundidade, não fazendo uso de flashbacks didáticos.

Além dos roteiros excelentes, gostaria também de destacar a cinematografia da série. A fotografia também merece uma atenção especial pela beleza e delicadeza. Assim como o gênero, os estilos fotográficos também se alteram por episódio, e ajudam a contar a história. Existe todo um cuidado com a direção de arte, com a ambientação do quarto de acordo com o episódio, com a época em que ele se passa e com a pessoa que está hospedada. A direção também é livre, diferente do que estamos acostumados nas séries nas quais os diretores tem um “manual preestabelecido” para manter a coerência. Em Room 104, como tudo faz parte de um grande processo criativo, a direção também está inclusa e se aproveita muito bem disso.

Room 104 e

Os episódios, ainda que curtinhos, são capazes de promover uma grande reflexão, são complexos em suas narrativas simples (faz sentido?). Por se retratar o cotidiano, conseguimos com facilidade nos imergir na história da vez, entender as motivações dos personagens e sermos envolvidos na atmosfera proposta. Um dos pontos mais interessantes em se pensar é como um quarto de hotel já recebeu pessoas dos mais diversos tipos, e de como somos peculiares na nossa intimidade, e muito diferente dos outros. Os personagens são variados, protagonizam diferentes dramas e, dentre tudo isso, ainda sobre espaço para algumas críticas sociais.

Em Room 104 vamos acompanhar 12 histórias, e a série já está renovadas para a próxima temporada. Vou destacar os episódios que mais me marcaram, mas, vale enfatizar que todos são bons e vão falar com você de diferentes formas. A mensagem a ser compreendida e o impacto dela em você depende do momento pelo qual está passando, claro, então recomendo que veja todos, e faça a sua seleção dos melhores. Uma série super tranquila e fácil de ser maratonada – agora se não quiser uma curadoria do meu coração, pode pular essa parte rs.

room

O primeiro episódio, Ralphie, foi uma sábia escolha para começar essa temporada. Ele é de suspense, um pouco bizarro, mas muito bem construído. Nele acompanhamos uma Babá que deverá tomar conta de um garotinho de uns 8 anos, enquanto o pai tem um compromisso a noite. O problema é que o menino está trancado no banheiro, e quando sai, tenta convencer a Babá que lá dentro tem uma pessoa muito maligna que não pode ser despertada, o tal Ralphie. É um episódio maluco, que deixa a gente com um misto de “mas que loucura é essa?” e “eu estou meio tenso??? AAAA” e termina com o clássico “eita” – ótima explicação hehe.

Mudando de gênero, outro episódio que amei foi “I Knew You Weren’t Dead” que, como o próprio nome sugere, tem um quê sobrenatural, mas que é numa pegada fofa haha. É sobre um cara, interpretado pelo Jay Duplass, que está passando por um momento difícil, e no quarto de hotel, tem uma DR com seu melhor amigo morto. É uma história sobre luto e tudo que ele provoca: culpa, dificuldade de deixar partir e ficar empacado no momento traumático. Acho que cabe algumas interpretações, mas o diálogo dele com o amigo morto foi muito significativo para mim, e na minha visão, diz mais sobre o personagem do Jay Duplass do que sobre o amigo. ENFIM lindo.

room 104 4

Logo na sequência temos o “The Internet”, que é de uma profundidade e delicadeza ímpar. Nele temos um jovem, em meados dos anos 1990, que desesperadamente tenta ensinar sua mãe, via telefone, a mandar por email seu livro escrito que está quase no final, pois ele tem um encontro com uma editora em breve. O episódio é basicamente ele discutindo com a mãe, mas é tão mais que isso. Conforme a narrativa vai se desenvolvendo, a tensão aumenta e começamos a levar uns tapas na cara que não esperávamos. A história toma um rumo inesperado e trata de forma verdadeira, honesta e sensível a relação entre mãe e filho e as suas expectativas.

Para não destacar a série inteira, os dois últimos que mais mexeram comigo foi “The Missionaires” e “My Love”. O primeiro conta a história de dois jovens missionários que começam a questionar todas as regras e restrições impostas por sua religião e, entre tudo isso, buscam descobrir suas identidades. É uma história cheia de metáforas tanto sobre crescer/amadurecer/descobrir a vida lá fora quanto sobre fé, e, além de ter o Nat Wolff hihi, é uma história muito bonita e delicada. Já em “My Love” acompanhamos um casal de velhinhos que decidem reviver sua noite de núpcias após 50 e tantos anos. É uma história FOFÍSSIMA, sensível, sobre a vida a dois, envelhecer, o amor e é BEM triste, mas de um jeito acolhedor. E o episódio Voyeurs é tão lindo, tão diferente, sensível, inspirador e melancólico que não sei o que dizer, só sentir.

Room 104 2

Em resumo, todos episódios transmitem alguma mensagem, conversam com você, o fazem pensar. Recomendo muitíssimo que assistam de coração aberto, são episódios super curtinhos e ainda sem a necessidade de consumo imediato. Foi uma série que passou bem discretinha ano passado, mas se você gosta de cinema, curtas metragem, e quer instigar a sua criatividade e sair do óbvio, eu mega recomendo!

Se você já assistiu, me conta quais foram seus eps preferidos, o que percebeu e extraiu de cada um deles (eu tenho anotações hehe) e vai ser legal discutir essas percepções. Ah, a série está disponível no HBO GO 😉

Olá! Eu sou a Thais Teixeira, especialista em criação de conteúdo e acúmulo diversos cursos geeks, desde crítica de cinema até coisas bem específicas. Adoro escrever e sinto que a leitura é um momento quase meditativo, por isso sou do time #bringtheblogsback!

Twitter | Instagram | TikTok
@withluvthai
Contato:
thaisftr@gmail.com
Anúncios

posts mais recentes

Uma resposta para “Imagine quantas histórias um quarto de hotel pode nos contar…”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

você também pode gostar:

Crie um site ou blog no WordPress.com

%d blogueiros gostam disto: