Watch Your Blues Turn Gold

Uma ariana, que construiu sua carreira num misto de espetáculo visual e ótimas músicas. Há quase 10 anos acompanhamos essa jovem crescer e amadurecer, o que não é nada fácil, ainda mais diante do holofotes. Aos 30 anos, Lady Gaga sente-se confiante o bastante para nos mostrar um pedaço da sua vida.

Eu acompanho a carreira de Lady Gaga desde o primeiro single: Just Dance. De um dia para o outro, comecei a reparar que uma mocinha loira que usava um LAÇO DE CABELO no maior estilo Minnie ocupava as páginas de notícias. Não preciso dizer que uma jovem, cantando pop, com uns clipes meio loucos no auge de 2008/2009 conquistou meu coração, não é mesmo?

gaga 6

Só que não demorou muito para a Gaga doidinha virar um espetáculo a ser sempre superado por ela própria. Logo, ela não era mais uma mocinha meio esquisita com uns clipes e apresentações excêntricos. Ela estava vestida de carne, usando umas roupas que você não entendia como tinha um ser humano caminhante dentro. Ela estava jogando sangue falso no palco de premiação. Saia para comprar pão toda montada. Fazia uns clipes cuja função principal era CHOCAR, tinha lá sua semiótica interpretativa, mas o objetivo central parecia ser causar mesmo.

O maior problema disso não era a baixa aceitação, a mídia cada vez mais cruel, o cansaço que ela causou na própria imagem e a falta de perspectiva de quando ela ia chegar num limite e parar com o espetáculo. O maior problema é que aquilo havia deixado de representá-la como um todo, e ela virou uma vítima da própria criação e necessidade de sempre superar a bizarrice anterior que havia feito. Tinha tantas camadas nas músicas, nas aparições, nos vídeos, que ela perdeu a própria personalidade dentro dessa personagem que criou. E é visível como aquilo não estava mais fazendo bem a ela mesma, que inclusive comenta sobre no documentário.

Lady Gaga é um nome inventando, óbvio. Gaga vem da música Radio Gaga do Queen (que é maravilhosa) e indica um traço importante da moça por trás desse nome: a gente sabe que ela é MUITO fã da banda. O Queen sempre foi uma banda de espetáculos, a frente de seu tempo, com uma música que vinha do coração, que mudou o rock, um ícone! Assim fez Gaga para o pop. Sua influência é incontestável, ela trouxe algo novo, agitou o cenário, pegou várias inspirações em diversos nichos e colocou a cara dela. Bateu recordes, virou notícia, abraçou todas as pessoas, lutou pela igualdade, e cantou o hino que salvou várias pessoas: Born This Way. Só que se passaram quase 10 anos, ela mudou, os Little Monsters mudaram, o mundo mudou e é preciso se reinventar. E é aí que entra o documentário. Nós vamos conhecer a pessoa por trás da personagem de Lady Gaga, Stefani Germanotta.

2010 MTV Video Music Awards - Show
O documentário se passa entre o período de gravação de Joanne e seu lançamento, até a apresentação no Super Bowl desse ano. Nele vemos que Stefani é gente como a gente, mesmo! E, pela primeira vez, a vemos à vontade, descabelada, dirigindo pela cidade, com roupas confortáveis, indo para mais um dia de trabalho. Ela é uma pessoa divertida, muito família, cheia de inseguranças, perfeccionista e um pouco control freak e exigente com seu trabalho e sua equipe. Ah, e que também fica exausta, fica doente, e vemos como o problema no quadril e a fibromialgia é sério, e como ela sofre muito com isso.

Gaga passou por uma transformação muito significativa desde seu último álbum: ela agora se sente confortável para ser ela mesma. Despindo-se de todas aquelas máscaras e fantasias, ela faz a música que sempre quis fazer, cercada de pessoas que a querem bem e querem contribuir com o seu novo trabalho da melhor maneira possível. Ela abre seu coração, solta a voz e o resultado é o incrível e maravilhoso Joanne! Que, sério, foi a melhor surpresa que Gaga poderia ter nos dado ano passado.

Além disso, no documentário também temos algumas lições feministas. Logo início, Stefani comenta como homens na indústria manipulam as mulheres para elas nunca conseguirem se sentir suficientes e independentes, sempre fazendo elas acreditarem que precisam deles. E acredito nisso completamente, não importa o ramo que você, mulher, esteja, tem um homem escroto impondo sua suposta supremacia, e isso é muito cruel! Tem um breve comentário sobre competição feminina, que acontece MUITO no mundo pop, e é tóxica e ridícula – não sejam essas pessoas que ficam colocando Divas Pop umas contras as outras, as respeitem como mulheres que estão se esforçando para um caralho para entregar o melhor trabalho que conseguem!

Apesar de ter uma carreira genial, estar mais linda do que nunca, e trabalhando muito para entregar o trabalho da sua vida, no âmbito amoroso, Stefani não está bem. O início do documentário coincide com o fim do relacionamento dela com o noivo, Taylor. Esse tema não é abordado e ela nem fala sobre isso, mas é importante compreender o peso que o fim de um noivado tem em todo o andamento da história. Sucesso nos jobs, azar no amor, muito gente como a gente mesmo! Hahaha

Gaga 4

Como fã, que acompanha o trabalho da Gaga desde o início, foi um documentário excelente. Acredito que expõe na medida certa, focando na evolução da carreira, no autodescobrimento, nas dificuldades e nas vitórias que a cantora sofreu no período do documentário. É um filme leve, divertido, e que faz refletir não só sobre a Stefani, mas também sobre você e a indústria da música. É muito pessoal, mas, ao mesmo tempo, é sobre todos nós. É sobre acreditar em você mesma, perseguir seus sonhos, ser quem você quiser e vencer a sua insegurança!

As letras da Gaga sempre foram muito verdadeiras, e, para mim, em cada música ela sempre conseguiu transmitir sentimentos (menos no Artpop, eu ignoro que ele existe). É interessante ver o desenvolvimento das composições do The Fame ao Joanne, as experiências, o modo de pensar, as prioridades, TUDO! A música, para ela, sempre foi sobre doação, intensidade, veracidade, e ela conseguiu passar isso com maestria no último álbum! (nos outros também, porque eu realmente adoro as letras delas).

Por fim, temos uma pouco dos bastidores do show do Super Bowl, que foi INCRÍVEL! E ver como ela se esforçou, se preparou, e se entregou para esse dia que era tão importante na sua carreira é inspirador! É engraçado como assistindo ao show você não imagina o que está se passando com cantor. Mas passa MUITA coisa na cabeça, eles entram nervosíssimos, chorando de alívio quando acaba, comemoram e tudo mais. De longe, a gente não faz ideia do que as coisas realmente significam para pessoa que está lá, fazendo, vivendo.

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Termino essa review orgulhosa do caminho que Stefani está traçando para ela, e para Lady Gaga. E lógico que tem muito mais no documentário, ele tem 1h40min, mas passa super rapidinho, de tão envolvente. E se você não é fã, acho válido dar uma olhadinha, porque é surpreendente.

Eu estava a cara da ansiedade para assistir ao show dela no Rock in Rio, de casa mesmo. No entanto, pelo visto, vamos esperar até 2019. Ou ela voltar. E alguém muito gentilmente me levar haha

E se você nunca ouviu ao album Joanne, VÁ AGORA, CORRENDO!

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