Wytches – que bruxaria é essa?

Aconteceu! Li uma graphic novede terror e o resultado é chocante: EU ADOREI! Wytches é lançamento da DarkSide e me surpreendeu demais, além de me ensinar um pouquinho sobre esse gênero que tenho tanto receio – medo mesmo. 

Wytches vai contar a história de uma família que busca um recomeço em Litchfield, New Hampshire, após um trauma terrível cidade anterior em que moravam. Entretanto, esse novo começo não sai como o planejado. Há algo oculto e maligno na floresta envolta da casa que os espreita, vigia, e começa a perturbá-los, especialmente a filha do casal.

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Quando decidi que queria ler essa HQ, baseada nessa sinopse, estava buscando apenas uma história de terror. Eu sou muito medrosa (tipo, muito) e, por isso, tenho pouquíssimo contato com obras do gênero, mas acreditei que seria uma experiência interessante. Afinal, eu gosto de bruxas, de modo geral, minhas histórias da infância sempre tinham uma, boas ou más, e elas não são tão aterrorizantes assim. Só que durante a leitura fui muito surpreendida, e o que encontrei foi muito além.

Sailor, a filha do casal, é muito ansiosa, ela vive em estado de alerta, sempre com medo, insegura, ganhando nossa empatia. Logo no início da história já nos é apresentado o trauma pelo qual a garota passou, mas é com o decorrer da história que vamos entendendo melhor seu desenvolvimento, e a relação com a família, especialmente o pai.

O desenvolvimento dos personagens é ótimo. Durante a narrativa, que nem sempre é linear, vamos percebendo as camadas e as complexidades de cada um. É possível ver o seu crescimento, principalmente Sailor e Charlie (pai). A relação dos dois é o ponto primordial da história, e onde se encontra o drama e o conflito.

E isso foi o que mais encantou nessa graphic novel: as bruxas são contexto, uma metáfora de algo maior e mais inerente no ser humano. Apesar de medonhas e bizarras (esquece velhas feias, caldeirões, feitiços e poções), o mais interessante é o simbolismo por trás dessas criaturas, e todo o sistema paranormal criado nesse universo – as pessoas são juradas para morrer, olha que loucura! A história é sobre família, amor, egoísmo e desejos – dos mais diversos, e o terror é apenas uma ferramenta utilizada para contar isso.

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Durante toda a história nos é oferecido pistas bem claras sobre tudo que está acontecendo, as metáforas escritas nas entrelinhas, mas é aquele tipo de coisas que se junta e faz total sentido apenas conforme você vai caminhando para final. No começo tudo parece meio solto e aleatório, e quando termina você percebe que estava ali o tempo todo. De forma geral, achei o enredo amarrado, bem construído, e é até impressionante o quanto ele te envolve emocionalmente – além do suspense e da curiosidade, que vão crescendo junto com a narrativa.

Ao final dessa edição temos diversas notas do autor, nas quais ele explica como chegou nessa história, suas experiências e motivações para escrevê-la, e recomendo muitíssimo a leitura. Além de divertido, fica mais claro ainda o quanto essa obra é pessoal e a mensagem de todo o quadrinho é ratificada e aprofundada. Scott Snyder, roteirista, também é uma pessoa que sofre de ansiedade e todos os medos que esse transtorno gera, e, por isso, consegue passar isso de forma brilhante e verdadeira para seus personagens.

A arte é outro fator que ganhou meu coração e foi um grande motivador da compra, na verdade haha. Não foi nem tanto pelo traçado de Jock, que é muito bonito, mas sim pelas cores. Além da coloração normal chapada dos desenhos, também existe um efeito aquarelado incrível que ajuda a criar uma atmosfera única para o quadrinho. Algumas vezes ficava difícil a visualização do que estava acontecendo, mas como recurso em uma história de terror, acho interessante. Os requadros, ou a ausência deles, também são outro fator que achei bem legal, e gostei do dinamismo que eles oferecem para a história, acrescentando no envolvimento emocional. Eu diria que as cores também estão dizendo alguma coisa, mas posso estar viajando haha.

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Antes de começar, estava assustada e empolgada com a possibilidade de ficar com medo durante a leitura. Não fiquei exatamente com medo, apesar de ser sim uma história de criaturas malignas adoradoras de Satã. Lendo as notas do autor (eu realmente gostei delas haha) comecei a repensar de verdade no papel das histórias de terror para mim, no que faz com que elas me deixem tão apavorada, e no tema delas, o que elas querem efetivamente dizer, além de criaturas horrendas matando e possuindo gente.

A verdade é que eu amei e estou muito empolgada para ler mais coisas relacionadas, quem diria, não é mesmo? Não é uma história que eu recomendaria para todos, mas se você ficou interessado, dê uma chance que não vai se arrepender. Quem publicou Wytches aqui em territórios brasileiros foi a DarkSide Books então é uma edição linda, maravilhosa, caprichadíssima e feita com muito amor.

Será que o lado trevoso de Thais está se expandindo para histórias de terror? Vamos acompanhar os próximos capítulos.

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